
Os estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) de Cuiabá realizaram uma nova manifestação contra a misoginia e todas as formas de violência dentro do campus, exigindo a expulsão dos responsáveis pela criação da “lista de estupráveis”. O protesto foi convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), articulado com o Movimento estudantil Correnteza e o Movimento de Mulheres Olga Benário.
O ato foi convocado após a repercussão do caso da chamada “lista de estupráveis”, que resultou na suspensão de dois alunos da instituição e na abertura de processos disciplinares.
A caminhada pressionou a universidade a adotar medidas mais duras contra os envolvidos, exigindo agilidade nos processos administrativos e a expulsão dos alunos investigados.
Entre as palavras de ordem e cartazes, os manifestantes também denunciaram a naturalização da violência contra a mulher dentro da universidade. A estudante Rayssa Piovani, do coletivo Olga Benário, afirmou que “esse caso expõe o nível em que a gente está de violência contra as mulheres no nosso estado”, lembrando ainda o assassinato da servidora Solange Aparecida Sobrinho, vítima de estupro e morte dentro do campus em 2025.
Apesar do grande engajamento que o ato recebeu com a comunidade acadêmica, nas redes sociais os comentários foram de incitação a violência contra os manifestantes, numa tentativa de menosprezo da pauta e da luta por direitos básicos às mulheres, como o da sobrevivência.
Os comentários não deixam passar despercebido um ponto: enquanto o ato clama por menos agressão, a reação nas redes foi justamente o oposto, com pessoas incitando o ódio aos estudantes pelo fato de estarem nas ruas denunciando a violência.
O caso
O caso que motivou o protesto veio à tona no início de maio, quando mensagens de WhatsApp contendo um ranking de garotas mais “estupráveis“ da universidade foram divulgadas. As investigações, conduzidas pela Polícia Civil por meio da Delegacia da Mulher, resultaram na suspensão de alunos dos cursos de Direito e Engenharia Civil.
Além da investigação interna, o caso teve novos desdobramentos após alegações de que o agente federal Adriano Soares de Lima, pai de um dos estudantes suspensos, teria ido ao campus intimar os alunos que fizeram as denúncias.
De acordo com a Polícia Federal, em colaboração com a Corregedoria Regional, foi iniciado um processo disciplinar para investigar a conduta do agente. O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil.