
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) revelou que o partido mantém conversas abertas com o União Brasil para a construção de alianças visando às eleições de 2026. A informação, dada de forma natural pelo parlamentar, é uma revelação, já que até então não era de conhecimento público que as duas siglas estivessem considerando caminhar juntas no mesmo palanque.
“O partido ainda não tem uma sinalização positiva, bem garantida do PL, não tem do outro lado, então evidentemente que está conversando com todos. Está conversando com o PL, mas também está conversando com o União Brasil, tem conversas aí de todos os lados”, afirmou Botelho nesta quinta-feira (28). “O que vai se fechar? Nós vamos ver daqui para frente, porque até agora não teve ainda uma sinalização de qual rumo que nós vamos tomar”, completou.
Até o momento, já vinha se especulando que Janaina pudesse ser vice do governador Otaviano Pivetta (Republicanos). No entanto, ambos negam. O republicano chegou a afirmar que não manteve nenhuma conversa neste sentido. Portanto, a possibilidade de aliança surpreende diante da disputa pelas duas vagas que Mato Grosso terá direito no Senado Federal.
Os presidentes estaduais de ambas as legendas são pré-candidatos e figuram como rivais políticos noEstado. De um lado está a deputada estadual Janaina Riva, presidente do MDB-MT, que vem construindo sua candidatura majoritária de forma independente. Do outro está o ex-governador Mauro Mendes, comandante do União Brasil no estado, que também foca suas forças para migrar ao Congresso Nacional.
Até então, o mercado político dava como certo que Janaina e Mendes se enfrentariam em blocos opostos. A sinalização de Botelho abre a possibilidade real de que o MDB e o União Brasil fechem uma chapa única, acomodando os dois rivais, mas não fica claro se Janaina manteria a candidatura ao Senado, ou de fato poderia ser vice de Pivetta.
A abertura de diálogo com o União Brasil ocorre justamente porque o plano principal do MDB, uma aliança “familiar” com o PL, enfrenta severa resistência interna. Janaina Riva é nora do senador Wellington Fagundes (PL), que se posiciona como pré-candidato ao governo do Estado. Há tempos os bastidores desenham uma chapa com sogro e nora, mas alas ferrenhas do PL tentam melar o acordo.
Lideranças como o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e o deputado federal José Medeiros (PL), que também almeja disputar o Senado, barram a entrada do MDB utilizando um argumento ideológico: afirmam que o MDB é um partido de esquerda pelo fato de a sigla compor a base e possuir ministérios no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Janaina já rebateu rebate a tese publicamente, argumentando que o MDB em Mato Grosso possui um perfil evidentemente de direita, conservador e alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O MDB de Janaina e Wellington Fagundes também encontram resistência além da capital. Prefeitos de grandes colégios eleitorais filiados ao PL, como Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, têm demonstrado preferência pelo projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o que naturalmente os empurra para uma grande aliança com o grupo político do ex-governador Mauro Mendes.
Sem terreno firme na direita do PL, o MDB aciona suas bases pragmáticas e, pelas palavras de Botelho, avisa ao mercado que está considerando todas as alternativas em busca real de sobrevivência para 2026.
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