
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não é possível dizer que se arrependeu de ter convidado Amauri Monge para comandar a Secretaria Municipal de Educação. A declaração foi dada em meio às denúncias envolvendo contratos da pasta, que agora são alvo de investigação e também motivaram a movimentação pela criação de uma CPI da Educação na Câmara Municipal.
Questionado se se arrepende de ter colocado Amauri na gestão, Abilio disse que a avaliação precisa considerar o momento em que o ex-secretário foi escolhido para o cargo. Segundo o prefeito, quando a nomeação ocorreu, as suspeitas que hoje envolvem a Secretaria de Educação ainda não existiam.
“A gente só pode arrepender posterior aos fatos terem ocorrido. No momento da contratação dele para a gestão, não havia essas circunstâncias. Então, assim, não há como você fazer uma mensuração de que agora, porque depois que tudo isso aconteceu, você está arrependido”, afirmou.
Amauri Monge foi nomeado secretário de Educação em 2025 e deixou o cargo em abril deste ano. Agora, o ex-secretário aparece no centro de uma crise política e administrativa após Abilio afirmar ter encontrado indícios de irregularidades em contratos da Educação, incluindo suspeitas envolvendo aquisição de livros e materiais didáticos.
O caso ganhou repercussão após o prefeito apontar um suposto rombo de R$ 80 milhões na pasta. As denúncias levaram o Ministério Público de Mato Grosso a abrir investigação para apurar possível superfaturamento e danos aos cofres públicos.
Apesar da gravidade das suspeitas, Abilio evitou dizer que errou ao nomear Amauri. O prefeito sustentou que a decisão precisa ser analisada conforme as informações disponíveis na época da contratação e não apenas com base nos fatos revelados posteriormente.
“Eu acho que a gente tem que analisar com responsabilidade as circunstâncias do momento em que ele foi contratado e as circunstâncias que nós estamos averiguando agora”, disse.
As acusações também provocaram reação de Amauri Monge, que negou irregularidades e rebateu as declarações do prefeito. O ex-secretário chegou a afirmar que não houve compra irregular e também acusou a atual gestão de realizar uma “pedalada fiscal” com recursos da Educação.
A crise na pasta também chegou à Câmara Municipal. Vereadores da base e da oposição apresentaram requerimentos para criação de uma CPI da Educação, que deve investigar contratos e possíveis irregularidades na secretaria. Abilio, por sua vez, negou interferência na formação da comissão e disse que qualquer apuração deve ser feita com responsabilidade.
Com o avanço das denúncias, a gestão municipal tenta se afastar politicamente dos atos atribuídos ao período de Amauri na secretaria, enquanto o ex-secretário se defende das acusações e aponta problemas na condução financeira da atual administração.